sábado, 5 de dezembro de 2009

5 Planos + Diálogo B


Sandro



Sandro


O original:

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O assunto e o argumento, segundo Kiarostami


O assunto:

«O assunto de Ten é baseado na vida do dia-a-dia. Certamente muitos espectadores sérios e vários críticos acharão que o assunto é aborrecido. Não surpreende que o cinema esteja cativo da necessidade natural de contar histórias. Nós estamos acostumados, ou fomos acostumados, a só aceitar a realidade dentro do quadro de uma história, de forma que seja excitante ou comovente. Este é o velho estilo de narração usado por Sherezade nos seus contos para o rei que costumava matar os convidados. Mas eu não acredito que o trabalho de cineasta seja excitar ou comover o espectador, só para criar momentos especiais. Mostrar simplesmente a realidade pode fazer as pessoas pensarem nos seus próprios actos e comportamentos e nos dos outros. E ver e aceitar a realidade como ela é. (...) Esta é a principal diferença entre este tipo de cinema e o de Hollywood. Neste tipo de cinema o assunto mais importante é: os seres humanos e suas almas.»


Ten on Ten (2004), Abbas Kiarostami

O argumento:
«Eu não costumo escrever os meus guiões da maneira como habitualmente são escritos os argumentos. A minha primeira ideia sobre uma intriga não é mais do que meia página. Depois desenvolvo isto para 3 páginas, e por essa altura sei se o filme pode ser feito. E tomo a minha decisão sobre se o filme pode ser feito com base nestas 3 páginas. É claro que não era assim no início da minha carreira. Só faço isto desde que já não tenho que submeter um argumento a um produtor ou ao Ministério da Cultura. Agora, tanto um como o outro sabem já que é praticamente impossível para mim manter-me fiel ao argumento escrito. Eu só me mantenho fiel à ideia original do filme. Mas mesmo disso não posso ter a certeza.»

«Se dermos diálogos escritos a não-actores, eles acabam por dizê-los palavra a palavra, e se isso acontecer os não-actores tornam-se verdadeiros actores. Mas para este tipo de filme, não-actores devem permanecer não-actores. Outra coisa importante é que quando escrevemos, cuidamos a gramática. Mas a língua falada nem sempre segue as regras de gramática. As regras de gramática devem ser quebradas. Isto produz diálogos naturais de acordo com a cultura da pessoa que fala. Como disse, não escrevo argumentos exactos. É no processo de filmagem e produção que as alterações diárias vão gradualmente modelando o filme. E o argumento toma forma à medida que o filme vai sendo feito.»


Ten on Ten (2004), Abbas Kiarostami


"The Basic Story", segundo Hollywood


O argumento em 3 actos


How to Establish Conflict in a Movie Script: http://www.youtube.com/watch?v=P2nAOKHmZpM

Curtas-metragens


Paris vu par... (1965)
Jean Rouch, Gare du Nord :


Eric Rohmer, Place de l'Etoile: http://www.youtube.com/watch?v=j7s-UuwKzk4 (e continuação)

Jean Luc Godard, Montparnasse  et  Levallois : http://www.youtube.com/watch?v=qzckpizcCjs (e continuação)

Claude Chabrol, La  Muette : http://www.youtube.com/watch?v=Uj53pW76nzw (e continuação)

Jean Douchet, Saint  Germain  des  Près: http://www.youtube.com/watch?v=9iRhgDfxA0Q (e continuação)

Jean- Daniel Poullet, Rue Saint Denis : http://www.dailymotion.com/video/x6128c_micheline-dax-rue-saintdenis_shortfilms (início e continuação, VO).

O Pão e a Rua (1970), Abbas Kiarostami



(Versão original muda)


La Récréation/ The Breaktime (1972), Abbas Kiarostami






The Collection (2001-2005), Bruno de Almeida



Outros da Colecção:

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Estágios


INOV-ART ABRE CANDIDATURAS PARA BOLSAS DE ESTÁGIO NO ESTRANGEIRO
de 16 de NOVEMBRO até 8 de JANEIRO

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Plano fixo

Caché / Nada a Esconder (2005), Michael Haneke



Quarta-feira, 2 de Dezembro, 17h30, ESAD.CR
http://cadernospar.blogspot.com/

sábado, 28 de novembro de 2009

Debate: documentário cinematográfico VS televisivo


«Um filme – “Pare, Escute e Olhe”, de Jorge Pelicano – e os três prémios que ganhou no DocLisboa abriram  polémica: está o festival de cinema documental contaminado pela televisão e a premiar um produto de TV? Não, dizem os defensores: o filme não só é cinema como tem uma capacidade de comunicar com o público, coisa que muitos não têm. Está sim, contrapõem os críticos, quando o que devia fazer era valorizar quem experimenta fora dos formatos». in Público, 6-11-2009 (PDF)

O documentário da polémica (trailer):


«O documentário, género fragilizado pela sua reduzida implantação nos circuitos da distribuição cinematográfica comercial, e em consequência muitíssimo dependente da televisão, é pasto fértil para esta confusão. Demasiadas vezes se toma a “reportagem televisiva” por “cinema documental”. Algum jornalismo pode ser posto a par da melhor literatura, mas mesmo nesses casos há uma diferença de natureza, preocupações, práticas e funções distintas. A reportagem é presidida por um tema, no cinema o “tema” surge através da criação de um ponto de vista construido com o tempo, com o espaço, com o real. Os recursos formais, a respiração e o ritmo são diferentes.» Luís Miguel Oliveira, ibidem.