quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Argumento, segundo Kiarostami

Ten on Ten (2004), Abbas Kiarostami

O argumento:
«Eu não costumo escrever os meus guiões da maneira como habitualmente são escritos os argumentos. A minha primeira ideia sobre uma intriga não é mais do que meia página. Depois desenvolvo isto para 3 páginas, e por essa altura sei se o filme pode ser feito. E tomo a minha decisão sobre se o filme pode ser feito com base nestas 3 páginas. É claro que não era assim no início da minha carreira. Só faço isto desde que já não tenho que submeter um argumento a um produtor ou ao Ministério da Cultura. Agora, tanto um como o outro sabem já que é praticamente impossível para mim manter-me fiel ao argumento escrito. Eu só me mantenho fiel à ideia original do filme. Mas mesmo disso não posso ter a certeza.»

«Se dermos diálogos escritos a não-actores, eles acabam por dizê-los palavra a palavra, e se isso acontecer os não-actores tornam-se verdadeiros actores. Mas para este tipo de filme, não-actores devem permanecer não-actores. Outra coisa importante é que quando escrevemos, cuidamos a gramática. Mas a língua falada nem sempre segue as regras de gramática. As regras de gramática devem ser quebradas. Isto produz diálogos naturais de acordo com a cultura da pessoa que fala. Como disse, não escrevo argumentos exactos. É no processo de filmagem e produção que as alterações diárias vão gradualmente modelando o filme. E o argumento toma forma à medida que o filme vai sendo feito.»

Ten on Ten (2004), Abbas Kiarostami

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Ten (2002), Abbas Kiarostami



O assunto:

«O assunto de Ten é baseado na vida do dia-a-dia. Certamente muitos espectadores sérios e vários críticos acharão que o assunto é aborrecido. Não surpreende que o cinema esteja cativo da necessidade natural de contar histórias. Nós estamos acostumados, ou fomos acostumados, a só aceitar a realidade dentro do quadro de uma história, de forma que seja excitante ou comovente. Este é o velho estilo de narração usado por Sherezade nos seus contos para o rei que costumava matar os convidados. Mas eu não acredito que o trabalho de cineasta seja excitar ou comover o espectador, só para criar momentos especiais. Mostrar simplesmente a realidade pode fazer as pessoas pensarem nos seus próprios actos e comportamentos e nos dos outros. E ver e aceitar a realidade como ela é. (...) Esta é a principal diferença entre este tipo de cinema e o de Hollywood. Neste tipo de cinema o assunto mais importante é: os seres humanos e suas almas.»


O Pão e a Rua (1970), Abbas Kiarostami

                (Versão original muda)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Histórias curtas

Morangos Silvestres (1957) – Ingmar Bergman



O Estado das Coisas (1982) – Wim Wenders



A Divina Comédia (1991) – Manoel de Oliveira

Curtas-metragens






O cinema no seu tempo

Filmes a partir de fait-divers de jornal:


(a partir de 4'20)









segunda-feira, 1 de abril de 2013

Mostra de vídeos


Segunda-feira, 8 de Abril, das 17h às 19h30 no Auditório EP-1, ESAD.CR

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Personagem e ponto de vista


Viaggio in Italia (1954), Roberto Rossellini


Cul-de-Sac (1966), Roman Polanski



Era uma vez um melro cantor (1970), Otar Iosseliani



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Diálogos

ANIKI-BOBÓ (1942), Manoel de Oliveira

Ver de 1'50" a 2'40":


Mudar de vida (1966), Paulo Rocha


Domingo à tarde (1966), António de Macedo 

O cerco (1970), António da Cunha Telles


Pedro Só (1971), Alfredo Tropa

O passado e o presente (1971), Manoel de Oliveira


Uma Abelha na Chuva (1972), Fernando Lopes


Cartas na mesa (1973), Rogério Ceitil


O Mal-amado (1974), Fernando Matos Silva



Meus amigos (1974), António da Cunha Telles



KILAS, O MAU DA FITA (1981), José Fonseca e Costa

A Divina Comédia (1991), Manoel de Oliveira


A CAIXA (1992), Manoel de Oliveira