quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O assunto e o argumento, segundo Kiarostami


O assunto:

«O assunto de Ten é baseado na vida do dia-a-dia. Certamente muitos espectadores sérios e vários críticos acharão que o assunto é aborrecido. Não surpreende que o cinema esteja cativo da necessidade natural de contar histórias. Nós estamos acostumados, ou fomos acostumados, a só aceitar a realidade dentro do quadro de uma história, de forma que seja excitante ou comovente. Este é o velho estilo de narração usado por Sherezade nos seus contos para o rei que costumava matar os convidados. Mas eu não acredito que o trabalho de cineasta seja excitar ou comover o espectador, só para criar momentos especiais. Mostrar simplesmente a realidade pode fazer as pessoas pensarem nos seus próprios actos e comportamentos e nos dos outros. E ver e aceitar a realidade como ela é. (...) Esta é a principal diferença entre este tipo de cinema e o de Hollywood. Neste tipo de cinema o assunto mais importante é: os seres humanos e suas almas.»

Ten on Ten (2004), Abbas Kiarostami

O argumento:
«Eu não costumo escrever os meus guiões da maneira como habitualmente são escritos os argumentos. A minha primeira ideia sobre uma intriga não é mais do que meia página. Depois desenvolvo isto para 3 páginas, e por essa altura sei se o filme pode ser feito. E tomo a minha decisão sobre se o filme pode ser feito com base nestas 3 páginas. É claro que não era assim no início da minha carreira. Só faço isto desde que já não tenho que submeter um argumento a um produtor ou ao Ministério da Cultura. Agora, tanto um como o outro sabem já que é praticamente impossível para mim manter-me fiel ao argumento escrito. Eu só me mantenho fiel à ideia original do filme. Mas mesmo disso não posso ter a certeza.»

«Se dermos diálogos escritos a não-actores, eles acabam por dizê-los palavra a palavra, e se isso acontecer os não-actores tornam-se verdadeiros actores. Mas para este tipo de filme, não-actores devem permanecer não-actores. Outra coisa importante é que quando escrevemos, cuidamos a gramática. Mas a língua falada nem sempre segue as regras de gramática. As regras de gramática devem ser quebradas. Isto produz diálogos naturais de acordo com a cultura da pessoa que fala. Como disse, não escrevo argumentos exactos. É no processo de filmagem e produção que as alterações diárias vão gradualmente modelando o filme. E o argumento toma forma à medida que o filme vai sendo feito.»

Ten on Ten (2004), Abbas Kiarostami

________________________________________________________

Ten (2002), Abbas Kiarostami


"The Basic Story", segundo Hollywood


O argumento em 3 actos

How to Establish Conflict in a Movie Script: http://www.youtube.com/watch?v=P2nAOKHmZpM

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Curtas


Paris vu par... (1965)
Jean Rouch, Gare du Nord :

Eric Rohmer, Place de l'Etoile: http://www.youtube.com/watch?v=j7s-UuwKzk4 (e continuação)
Jean Luc Godard, Montparnasse  et  Levallois : http://www.youtube.com/watch?v=qzckpizcCjs (e continuação)
Claude Chabrol, La  Muette : http://www.youtube.com/watch?v=Uj53pW76nzw (e continuação)
Jean Douchet, Saint  Germain  des  Près: http://www.youtube.com/watch?v=9iRhgDfxA0Q (e continuação)
Jean- Daniel Poullet, Rue Saint Denis : http://www.dailymotion.com/video/x6128c_micheline-dax-rue-saintdenis_shortfilms (início e continuação, VO).

O Pão e a Rua (1970), Abbas Kiarostami


(Versão original muda)

La Récréation/ The Breaktime (1972), Abbas Kiarostami




The Collection (2001-2005), Bruno de Almeida


Outros da Colecção:

Workshop "História do Cinema em 7 realizadores"



História do Cinema em 7 realizadores:
Lumiére - Griffith - F. Lang - Eisenstein - L. Riefenstahl - Orson Welles - Spielberg
Subtítulo: O contexto cinematográfico e sócio-cultural de cada um e o seu contributo para a cinematografia da época e na actualidade
Data: 25 e 26 de Novembro de 2010
Horário:
1º Dia
10.00 Às 13.00
14.00 Às 18.00
 2º dia
10.00 Às 13.00
Local: Auditório
Público-alvo: estudantes interessados pelo universo audiovisual
Limite de inscrições: 45
Inscrições presenciais: 16 a 19 de Novembro de 2010
Local de inscrições: Gabinete de Comunicação e Organização de Eventos da ESAD.CR

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Cinema e debate

Documentários sobre artistas plásticos:
http://eventosnaesadcr.wordpress.com/2010/11/02/par-aulas-abertas-10-e-12-novembro-par-open-classes-10-and-12-november/

Nota: o Evento PAR não se realizará no auditório da EP 1 mas sim no auditório do EP2

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Doclisboa em Alcobaça



ÁGUA
Eva Ângelo
QUEM MORA NA MINHA CABEÇA
Miguel Seabra Lopes
PHOTOMATON - RETRATOS DE JOÃO DOS SANTOS
Tiago Pereira e Sofia Ponte

FILMES PREMIADOS: 
Também já estão definidos os Filmes Premiados na extensão DocLisboa em Alcobaça: assim teremos Como as Serras Crescem de Maria João Soares (Prémio de Melhor Curta-Metragem Portuguesa) e Li Ké Terra de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista (Prémio de Melhor Longa-Metragem Portuguesa), no dia 7 às 19h 30 e dia 8 às 21h 30.


Cine-Teatro de Alcobaça | João d'Oliva Monteiro
Alcobaça
7 > 8 novembro

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Diálogos


MARIA PAPOILA (1937), Leitão de Barros

ANIKI-BOBÓ (1942), Manoel de Oliveira


Mudar de vida (1966), Paulo Rocha


Domingo à tarde (1966), António de Macedo 

O cerco (1970), António da Cunha Telles


Pedro Só (1971), Alfredo Tropa

O passado e o presente (1971), Manoel de Oliveira


Uma Abelha na Chuva (1972), Fernando Lopes


Cartas na mesa (1973), Rogério Ceitil


O Mal-amado (1974), Fernando Matos Silva



Meus amigos (1974), António da Cunha Telles



KILAS, O MAU DA FITA (1981), José Fonseca e Costa

A Divina Comédia (1991), Manoel de Oliveira